domingo, 8 de fevereiro de 2015

os desejos da carne
a gente controla
ou devora?
amor antigo
que se mistifica
ainda volta?
amor do presente
num futuro próximo
há de estar ausente?
atrações, inquietações
coisas da mente
coisa da gente
o amor emudece a gente
o amor transforma
o amor revigora
e o que a gente faz
quando ele vai embora?
coração nublado
oscila
como o dia

ora tempestade
ora calmaria.
o amor dança
uma eterna melodia suave
no jardim

pés criando raízes
num solo fértil
onde logo irá florir

florescendo
a gente se multiplica
nessa liberdade
de estar aqui e ali

liberdade de dentro pra fora
leveza de ser
a gente rega o amor todos os dias
para flores-
ser.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

se um dia
poetisa eu for
saiba que tu estarás presente
nos poemas que falam de amor
se um dia
poetisa eu for
vou colorir a dor
perfumá-la como flor
e torná-la bonita
para que apreciem
sua importância
no dia-a-dia
a dor faz a gente crescer
e o amor nos expande
tornando-nos poesia.
mulher,
deseja ser
o que tu és!

que seja puta,
santa ou dama
na rua
ou em cima da cama

que seja uma
em todas
que sejamos todas
em uma

que sejamos amigas, companheiras, irmãs
nunca rivais

que se aceite
e que nunca deixe de ser
por outro querer

gorda, magra
branca, negra
lisa ou crespa

m-u-l-h-e-r
e suas mil facetas

hetero, gay ou bi
cis ou travesti
temos o direito de amar, sim!

sejas livre, mulher!
tu és guerreira.
lutas contra o patriarcado
e contra esse machismo escancarado.

ame
ame-se
amem-se!

que esteja só
ou com seu conjugue
mas, nunca julgue

apenas viva, mulher
apenas deixem que vivam!
e sinta
que unidas
somos mais fortes
não somos inimigas

o patriarcado tem poder
mas o feminismo nos liberta
e a sororidade
faz com que a gente se trate
com amor e igualdade.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Venha cá
se o sentido da vida
é c i r c u l a r
que mal há
se além, dessa saia eu rodar
eu rodada 
ser
também?

domingo, 28 de dezembro de 2014

Carlos acha o governo corrupto. "O governo é sujo", ele diz. E por que ele é sujo, seu Carlos? 
- Ora, porque ele é corrupto!
Carlos é servidor público federal e não gosta de trabalhar como servidor público federal. Ele gosta é do salário de um servidor público federal.
Nas segundas, ele chega mais tarde em casa para trair sua esposa e estaciona o seu carro numa vaga para deficientes. E chega em casa com perfume da amante.
Quando vai enfrentar alguma fila, dá um "migué" e a fura.
Nos domigos, ele sai com uns amigos para beber, conversar e jogar poker. Carlos volta para casa dirigindo bêbado, ouvindo a rádio, numa estação sobre política e resmunga "nam! tudo corrupto."
Carlos chega cansado -porque teve um dia cheio- às duas da madrugada, gritando porque não tem comida na mesa. Acorda a mulher. Grita mais. Ela, sonolenta, pede para dormir só mais um tiquinho e ele a levanta puxando-a e empurrando-a.
Ele espera a comida ficar pronta enquanto assiste algo na tv, ao som do choro tímido da esposa.
- Ô, meu bem. Já disse que te amo hoje? Você é linda. - Ele diz.
A tv a cabo de Carlos é gato. A energia da casa dele, também.
Carlos reclama aos berros, às três da manhã, que não existe mais pessoa digna nesse país. Diz que não vai votar em ninguém, porque nenhum político presta. Todos roubam. Todos são corruptos. Enquanto Carlos resmunga, Maria, sua esposa, com olhos inchados e assustada, põe a mesa.
- Esse país é uma vergonha! Diz Carlos, tentando sintonizar a TV.
- Esse governo é sujo! Esse governo é corrupto. O que você acha, amor? Tá insatisfeita com o nosso governo também? Fala Carlos, com a boca cheia... de comida e insatisfeito com essa política.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

ame-se
por fora
e por dentro
para que tu
respire amor
a todo momento
ame-se
por dentro
e por fora
e não se contente
com migalhas
em nenhuma hora.

domingo, 21 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

acho que não dá,
não!
sinto falta de excitação
de ardência na tua boca
dos desejos da tua mão

meu coração vira um tambor
ao te ver
bate tão rápido
que acho que chego a desfalecer

tu me ensinou a voar
concertou minhas asas quebradas
que nunca tinham me feito voar
no máximo uns pulos
com pousos incertos

certa na certeza
que dói trair o meu sentir
mas é melhor pensar em ti
e em mim

racionalizar não é fácil
queria eu
com minhas asas novas
voar sobre tuas histórias

virei andorinha
e esse ano não vai ter verão
voarei sozinha
pela contramão.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

estar
sem procurar
motivos para ficar.
ficar
pelo bel prazer
de estar
sem se acomodar.
arder.
sentir.
reconhecer o amor
em si.
reconhecer o amor
em ti.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quero renascer poesia Em tua pele Desenhando com a minha lingua Pintando com teus suspiros Todos os dias.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Um quarto de tempo
para que a dor se dissipe.
Um quarto pequeno
para que eu te recite.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Passou a noite se divertindo
dançou ciranda,
pulou a fogueira.

De madrugada
saiu com os amigos
foi comer e tomar cerveja.

Já estava tarde
havia combinado de ir dormir
na casa de uma amiga.
Mas a amiga mora longe
e não ia embora nem tão cedo.
Então foi dormir na casa de um amigo
que mora perto.

Andou sozinha
mas logo chegou.
Havia duas pessoas dormindo na sala
uma amiga, um companheiro.

Conversa vai,
conversa vem.
A amiga cochila
o companheiro faz cafuné.
- Armaria, que cafuné bom.
E foi tentar dormir.

Dormiu e acordou
tempos depois
sentiu o companheiro voltar a fazer cafuné
não disse nada
já estava incomodada.

Depois sentiu a mão descendo,
entrando por dentro da sua blusa
e ficou imóvel
e sem respirar.

Queria que ele parasse,
mas não sabia o que fazer
e não conseguia encontrar forças
para pedir para parar.

Mandou uma mensagem para o amigo
que mora na casa e estava no quarto ao lado
cuja mensagem dizia
para que se ele tivesse acordado
ir chamar a menina para o quarto.

Mas ele não veio
e a mão do companheiro
começou a descer
e descer
e ela quase morreu sem respirar,
mas, num ímpeto e medo
encontrou forças para virar.

domingo, 9 de novembro de 2014

Despi-me
sabendo que a despedida
chegará em breve.

Fui lenta
como se eu pudesse sentir
todas as terminações nervosas
do teu corpo
pulsarem
e queria guardar
aquele teu olhar de prazer.

Meu passarinho,
em tão pouco tempo voarás
não sei se pousarás
ou se encontrarás noutro ninho
um lugar para amar.

Passarinho,
tanta saudade eu vou sentir
do teu riso,
da tua cara quando estás a aprontar,
do teu toque,
teu cheiro,
teu beijo,
teu cuidado.

Como vai ser
quando eu sentir vontade
dos teus beijos e afagos?
De ganhar o teu riso,
de dar-te um suspiro?

Passarinho,
tanto afeto por ti
há em mim
que eu jamais quereria
um pouso em agonia.